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A tentação à luz das Escrituras: o perigo é real

            Em toda a história humana, vencer a tentação sempre foi um dos grandes desafios para aqueles que desejam submeter à vontade de Deus.  A tentação está presente em diversos lugares, surge em momentos inesperados e age nas fraquezas. São inúmeros os casos de cristãos, e especialmente, ministros do evangelho, envolvidos em escândalos por não terem resistido às tentações cotidianas. Diante disso, faz-se necessário refletir sobre o que as Escrituras ensinam acerca das seguintes questões: qual a origem e natureza da tentação? Como ela se manifesta? E como vencê-la?

            Sabe-se que a tentação existe por causa do coração corrompido do ser humano, de sua natureza pecaminosa e suas inclinações para o pecado. Tiago diz: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. (Tg 1.14,15). É importante ressaltar que satanás, como conhecedor da natureza corrompida do ser humano, atua como sedutor, induzindo ao pecado. Assim, não podemos atribuir a Deus a responsabilidade das nossas tentações, pelo contrário, devemos reconhecer as nossas limitações e fraquezas, e guardar o nosso coração. J Wilbur Chapman diz que "tentação é o tentador olhando pelo buraco da fechadura para o quarto em que você vive; pecado é o ato de você destrancar a porta e fazer com que seja possível ele entrar." A tentação é evidenciada, principalmente, nas seguintes áreas: dinheiro, sexo e poder. Se a tentação tem sua origem no coração corrompido como podemos vencê-la?

            Reconhecer as fraquezas e entender a necessidade de superá-las são aspectos indispensáveis na luta contra a tentação. Uma vez que satanás conhece os nossos pontos fracos não podemos fingir que eles não existem. Portanto, não subestime o inimigo interior (as inclinações carnais) e muito menos o inimigo exterior (satanás), o qual não mede esforços para criar estratagemas contra o povo de Deus. Como disse John Owen, “o sábio não confia em si mesmo, mas sim no poder preservador de Deus; e quando compreendemos a nossa fraqueza e o poder da tentação, estamos em condições de descobrir o poder da graça de Deus”.

Uma vida devocional disciplinada é indispensável na luta contra a tentação. Medite nas Sagradas Escrituras, e cultive uma vida devocional séria com a prática do jejum e oração. Lutero afirma que “quanto mais oramos, a gente se acautela contra o pecado e a injustiça”. E John Owen assevera que “sem um espírito constante de oração, podemos ser distraídos por uma corrente contínua de tentações”. Orar em todo tempo é a instrução bíblica (Lc 18.1; Ef 6.18). Paulo tinha plena convicção de que a oração é um dos fundamentos da vida cristã e do ministério pastoral, e por isso, diversas vezes faz menção a oração: “Orando em todo o tempo”, Ef 6.18; “não cessamos de orar por vocês”, Cl 1.19; “oramos sempre por vocês”, 2 Ts 1.11; “rogando continuamente, dia e noite, 1 Ts 3.10; “perseverai na oração”, Cl 4.2, Rm 12.12; “orai sem cessar”, 1 Ts 5.17; “pedindo constantemente em minhas orações”, Rm 1.9,10. Indubitavelmente, para vencermos as tentações, a oração precisa ser um estilo de vida e não uma mera atividade esporádica na caminhada cristã.

Demonstrar predisposição para lutar e resistir à tentação. Isto significa que se deve decidir de antemão que certas práticas são desprezíveis e destrutivas para vida cristã, e não se pode esperar o momento da tentação para avaliar isto. Não se pode lidar com a tentação de forma passiva.  Paulo diz: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis” (Ef. 6.13). Paulo ainda aconselha Timóteo: “foge, outrossim, das paixões da mocidade” (2 Timóteo 2:22). Tiago e Pedro advertem os cristãos a resistirem o diabo (Tiago 4:7; 1 Pedro 5:9). Em síntese, é preciso ter uma postura ativa na luta contra a tentação.

            Não alimente desejos no âmbito de suas fraquezas carnais. Paulo afirma: “Tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja o que ocupe o vosso pensamento” Fp 4.8. Corremos grande perigo quando subestimamos as tentações, permitindo que certos desejos imorais tenham morada na nossa mente. De fato, a queda não acontece em um único momento, ela é um processo que começa com pensamentos fantasiosos que uma vez alimentados, culminam em ações imorais e um fim trágico.

            Tire férias e descanse, pois, o excesso de trabalho acompanhado de stress, aliado à falta de tempo para se investir nos relacionamentos também pode ser perigoso. A história tem comprovado que a queda de muitos estava também relacionada ao alto grau de stress.

            Enfim, a tentação é uma realidade inquestionável para todo ser humano, e, uma vez consumada a queda, as consequências são irreparáveis, dolorosas e traumáticas. No entanto, não sejam essas consequências a motivação primária para se resistir a tentação, e sim, a consciência do nosso compromisso pactual com o Senhor Jesus Cristo. Lembremos sempre da exortação de Deus a Caim: "Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás" (Gn 4.7). Certamente, as tentações expõem as nossas vulnerabilidades, mas a vigilância diligente e a oração incessante apontam o caminho para o nosso triunfo.

Sergio Dario Costa Silva