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Pandemia: é tempo de aprender

As Escrituras relatam que os israelitas passaram por muitos desertos, e cada um era diferente do outro proporcionando experiências também diferentes. No deserto de Zim, a necessidade do povo era água, então Moises clama a Deus, o qual faz brotar água da rocha. No deserto de Sim, a necessidade do povo era pão e Deus deu o maná do céu. No deserto de Mara havia águas, mas eram amargas, e Deus as fez doces.
No história de Israel, o deserto teve um papel essencialmente didático-pedagógico declarado pelo próprio Deus em Deuteronômio 8.2-3: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem”. Assim, o deserto era uma oportunidade para Israel aprender a depender mais de Deus até mesmo nas coisas mais básicas para a sobrevivência. O deserto quebra o “ego” dos israelitas, joga por terra todo senso de controle e independência. No deserto, Israel colocou para fora aquilo que estava no coração, a saber, a incredulidade, a autoconfiança, a rebeldia e a murmuração.
Em tempos de pandemia colocamos para fora aquilo que está no nosso coração. Autoconfiança ou confiança em Deus? Autonomia ou teonomia? Apego a pátria terrena ou a pátria eterna? Apego ao terreno ou apego ao espiritual? Confiança nos governos humanos ou confiança no governo de Deus? É lamentável o fato de que muitos esqueceram que há uma pátria celestial, pois vivem esta vida presente como se não existisse vida eterna. Não devemos esquecer que “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Co 15.19). Portanto, “fixamos nossos olhos, não naquilo que se pode enxergar, mas nos elementos que não são vistos; pois os visíveis são temporais, ao passo que os que não se vêem são eternos” (2 Co 4.18).
Lembre que o deserto é transitório, temporário e didático-pedagógico, portanto:
  • Aprendamos a confiar em Deus e não em coisas; (Jr 17.7)
  • Aprendamos a colocar a nossa esperança em Deus; (Jr 17.13)
  • Aprendamos a tirar o coração do perecível e efêmero e colocar nas coisas eternas; (Mt 6.20)
  • Aprendamos que onde estiver o nosso tesouro ali estará o nosso coração (Mt 6.21);
  • Aprendamos que o nosso tesouro não está neste mundo; (Mt 6.20)
  • Aprendamos a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, ao invés de tentar construir o nosso próprio reino nesta terra decadente; (Mt 6.33)
  • Aprendamos que Deus nosso Pai nos sustentará (Mt 6.26)
  • Aprendamos a “pensar nas coisas lá do alto, não nas que são da terra” (Cl 3.2);
  • Aprendamos que somos peregrinos e forasteiros em missão neste mundo (1Pe 2.11);
  • Aprendamos que o nosso papel social neste mundo não pode sobrepor o nosso sacerdócio real (1Pe 2.9);
  • Aprendamos que a nossa identidade social neste mundo está a serviço da nossa identidade missional (1Pe 2.9)
  • Aprendamos a não perder o foco da nossa missão: “proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
Por fim, vamos “resistir firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos nossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.** **Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A ele seja o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Pe 5.9-11).
Que Deus seja também glorificado em nossos “desertos”.
Soli Deo gloria!!
Pr. Sergio Dario