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#E agora Pastor? Ministério off-line ou on-line?

O povo de Deus é de fato peregrino nesta terra e passou por mudanças geográficas, jornadas no deserto, guerras, pestes, perseguições, conflitos de liderança, mudanças políticas, econômicas e tantos outros desafios, mas sobreviveu a todos. A Igreja no Novo Testamento herdeira do judaísmo incorpora os desafios e conflitos de mudança saindo do ritual do templo para a adoração de casa em casa. A perseguição que nos aflige desde os primeiros séculos e também sobrevive em nossos dias com maior ou menor intensidade, nos faz dependentes do Senhor e ao mesmo tempo nos traz uma responsabilidade criativa para cumprir a nossa missão em relação ao mundo (evangelização e misericórdia) em relação à Deus (Adoração) e em nossa comunidade (edificação).

            Olhar a história e o texto bíblico nos faz refletir sobre a nossa missão e o nosso destino como oficiais da igreja de Jesus e de nossa denominação. A maioria de nós talvez esteja habituada ao ministério off-line, vinculado ao mundo real da estrutura física e seus custos, do púlpito e as suas pregações, do contato físico que leva naturalmente ao abraço e o tradicional aperto de mão e pensando apenas localmente dentro dos limites do nosso município. Mas de repente, somos lançados ao ministério on-line como algo novo que precisamos encarar e nos parece assustador. A estrutura fica hiper reduzida a um aparelho celular ou há poucos equipamentos em uma pequena sala não necessitando mais de toda uma estrutura física, mas de criatividade e habilidades com a tecnologia. O púlpito a gente insiste em manter, afinal a nossa vida é o púlpito, ele está lá há tantos anos na igreja e agora? Prego da mesma maneira aquele longo sermão ou preciso readaptar minha pregação para o mundo on-line? Como vai ser a minha liturgia de agora em diante? Quais são de fato os princípios reguladores do culto inegociáveis? Culto on-line ou Transmissão do culto? Como vamos suportar a saudade das ovelhas neste período de isolamento social? A cultura do abraço e aperto de mãos agora se torna a cultura das telas, o único lugar onde se pode de fato tocar. Todos juntos, mas separados, apenas conectados num mesmo canal ou rede social e no mesmo propósito diante de tantas distrações e da saturação de transmissões on-line e lives diárias que você e a sua ovelha pode escolher com apenas um click ou um comando de voz. Será que tudo vai voltar ao normal como era antes?

            A Palavra de Deus na última carta de Paulo a Timóteo em 2Tm 4.5b expressa: “Cumpra cabalmente o teu ministério” e muito nos ensina sobre o ministério. A palavra grega πληροφόρησον (plērophorēson) que é usada no verso significa: “fazer com que uma coisa seja mostrada ao máximo e especificamente “cumprir o ministério em todos os aspectos” neste contexto e também é usada no verso 17. Por isso, penso que o pastor deve considerar o universo on-line como parte integrante do seu ministério à partir de agora se o ainda não tinha feito, e aos que já estavam fazendo é tempo de aperfeiçoar pois não estamos diante de uma grande novidade, mas de algo que já faz parte da vida de milhões de pessoas. Desde 1999 já existe um famoso jogo o “Second Life”, que é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi criado em 1999 e desenvolvido em 2003 e é mantido pela empresa Linden Lab.  Dependendo do tipo de uso, pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. Além disso as redes sociais como Orkut que foi uma rede social filiada ao Google, criada em 24 de janeiro de 2004 e desativada em 30 de setembro de 2014, já alcançou milhões de pessoas antes do Facebook, Instagram, Twitter Whatsapp e YouTube entre outros, que conectam milhões de pessoas atualmente. Pergunto: Qual era a nossa relação e planejamento missionário antes desta pandemia com este mundo on-line? Além da evangelização da sua cidade, estado e nação, da visão missionária transcultural, existe também um mundo virtual com milhões de pessoas conectadas que precisam ser alcançadas, influenciadas e transformadas pelo Evangelho de Jesus. Assim sendo, sugiro que se você não tem familiaridade com esta realidade das redes, está na hora de dar oportunidade e convidar quem domina para te ajudar e ensinar a lidar com isso, para que você poste na web algo de qualidade para o seu rebanho e para quem acessar os seus canais, pois você é importante e o Senhor que te vocacionou e capacitou também deseja te usar neste ambiente.

            Portanto, encerro este artigo te desafiando a considerar esta nova realidade ministerial, cumprindo o seu ministério off-line e on-line de maneira plena. A essência da igreja continua a mesma, os seus fundamentos e natureza nunca mudarão, a sua mensagem permanece sendo o Cristo crucificado, mas a forma de comunicar a mensagem exigirá adaptações que não negociam os valores do povo de Deus revelados nas Sagradas Escrituras. Não se assuste e não fique atemorizado neste cenário. O Senhor da Igreja continua conosco. Ele é Emanuel. Seja bíblico, sensato e dinâmico que o Espírito Santo também continuará a realizar esta obra no coração das pessoas através da sua pregação do Evangelho, pois independente do formato ela é poderosa em si mesma. O Senhor Criador garante o seu conteúdo redentivo diante deste mundo caído com a esperança da consumação na sua segunda vinda que nos migrará para nossa verdadeira pátria, um mundo que não é off-line e nem on-line, real ou virtual, digital ou analógico mas um mundo espiritual, incorruptível e eterno na presença Dele. E agora pastor? “Cumpra plenamente o seu ministério”.

Diony Henrique Dias

Pastor da IPRB

Professor do SPRBC